7 de abril de 2011

Crianças matando crianças: a miséria humana

Percebi meu pensamento elevado hoje...pensando e repensando ações...Deparei-e com um trecho de um e-mail amigo para encerrar a noite....vale à pena ler.
---------------------------------------------------
(...)hoje, uma hora dessas, todos já sabem e estão consternados, atônitos, sobre o ataque à escola pública em Realengo, no Rio. Lamentável. Triste. Repugnante. Agora seremos, mais uma vez, julgados porque o problema ocorreu numa escola. Teremos aquele blá-blá-blá de buscar culpados e sabemos que muitos terão o desejo e colocarão a culpa em nós professores e educadores. O mundo tem se feito de culpas ou críticas, o que o torna repetitivo e, no mais das vezes, chato.

Enfim, não há culpados pela miséria humana. Serão lançadas teses sobre o comportamento do assassino, coisa que não deveria interessar nem importar a ninguém, pois essa fama repentina e post mortem é a que muitos maníacos, psicopatas esperam de uma sociedade como a nossa. Esqueçamos e nem percamos nosso tempo com isso.

Gastemos todo nosso tempo registrando nossa história, nossas conquistas, nossos reveses, a história de cada um dos nossos alunos e a nossa própria história. Em alguns anos muitos dos nossos alunos vencerão, precisamos registrar esse percurso e aprender com ele. Outros se encaminharão por caminhos tortuosos, tristes, motivo de desgraça para eles e outros, mas que tenhamos a certeza de termos ensinado todas as possibilidades. Que cuidemos daqueles que são indisciplinados, ensinando-os a disciplina, mas aos que são apáticos, que aos poucos soltem de dentro de si seus medos e anseios. Junto com isso, os bons alunos que tenham espaço para mostrar seu valor com nosso júbilo. Enfim, que gastemos nosso tempo nos ocupando com o principal que é cuidar do presente-futuro de todas (absolutamente todas) as crianças e do presente-futuro do nosso país, do mundo. Porque o futuro nasce no agora!

Num dia como esse, relembramos o filme de Michael Moore – Tiros em Columbine, que tenta mostrar o cerne do problema que é viver numa sociedade violenta. Nosso trabalho é lutar para que compreendamos os meandros dessa violência e ensinemos nossos alunos a conviver, a com-viver, que diria Paulo Freire que é um viver junto. Isso implica falar, ouvir, discutir, sem precisar romper o limite da convivência humana: posso discordar, mas devo viver com os contrários e com a riqueza que isso expressa.

Nós educadores, professores viveremos sobre extenso bombardeio midiático, mais uma vez, com especialistas explicando o inexplicável. Com multimeios pseudo-didáticos explicando como as escolas são ruins e vulneráveis. Pior, com as escusas que colocam em nossas mãos as mazelas do país. A sociedade produzirá, como num fast-food, informações, análises, teorias e medidas profiláticas para banir a malignidade da vida. E, claro, tudo será, em breve, empurrado para o limbo da memória, junto aos Tiririca da vida.

Sem dúvida que cabem aqui as definições foucaultianas de que precisamos criar um governo de si. Só a independência de sermos um autogoverno pode nos guiar a patamares distantes da fofoca, do cuidar da vida do outro. Pelo contrário, se me autogoverno sei meus limites, minhas capacidades e as gerências a serem compartilhadas com o outro, caso de negociação, de convivência amistosa, de dar passos para frente e para trás diante dos problemas. Meu autogoverno independe do caos midiático, das propagandas, dos produtos, da mercadoria que se tornou o humano.

Ao fim, diante do problema que nos invade agora pela via midiática, a resposta à violência será ainda mais violenta, pois virá sem explicação que nos convença ou, pior, com a oficialização de uma verdade momentânea, amparada pelo psicologismo reinante ou de qualquer outro dispositivo de segurança, que possa nos conformar, tranquilizar e adestrar nossos medos. Espero que tenhamos o discernimento e a luz de saber que a única certeza será a que nos movimenta e nos faz ser definitivamente melhores: a incerteza da vida.

Enfim, hora de dormir bem, para isso vamos ler Drummond, Brecht e Bachelard...
Anderson Gomes...

Um comentário:

Deixe suas impressões!